segunda-feira, 2 de março de 2009

Eu por eu mesma...


Eu seria mais ou menos assim:
Uma colorada nata, que viu seu time ser campeão da Libertadores dentro do estádio mais caloroso do mundo. Uma pessoa que gritava vendo no telão, cada vez que o Barcelona chegava perto da pequena área. Sou alguém que chora vendo filmes. Mas não os românticos, e sim, as torturas da ditadura na américa latina, a crueldade de campos de concentração, a frieza de guerras infundadas e todas as injustiças reais, e não as fictícias. Sou alguém que prefere ficar em casa do que ir num shopping. Alguém, que gostaria de explorar o mundo. Porém, alguém que, se pudesse voltar no tempo, trocaria toda a despesa de uma viagem aos Estados Unidos, por uma viagem ao México, ao Peru, à Índia, ou qualquer lugar que acrescente. Adoro conhecer culturas e lamento as partes do mundo que foram aculturadas. Alguém que vê um filme sobre a guerra civil em El Salvador, e sai do sofá querendo fazer um levante mundial. Alguém que pulsa no sangue a revolução, mas alguém que já assimilou tantas coisas desse sistema capitalista, que às vezes se perde na compreensão ou na incompreensão do modo de ver o mundo. Eu sou alguém que tem palavra. Alguém que tem amigos fiéis e respeita o caráter alheio. Mas também alguém que perde o controle ou a paciência em certos momentos. Sou socióloga. Sou uma escorpiana. Mas também sou alguém que sabe que a astrologia não serve para delimitar atitudes. Sou mestre em Reiki, mas não tenho praticado. E ainda assim, materialista. Alguém explica? Eu sou alguém capaz de bater o carro em outro mas não passo por cima do cachorro no asfalto. Amo minha família, e, apesar de detestar esse discurso de "deus, pátria e família", acho que a minha família é fora do comum. É especial, diferente, tem concepções de vida diferenciadas e valoriza caráter acima de sexo, raça, religião ou cultura. Além disso não acredito em deus. Talvez em deuses, será? Eu acredito é nos homens. Eu sou alguém que treme quando vê alguma injustiça, mas também sou alguém que se sente impotente ao ver meninos fazendo malabarismo com limões nos faróis da cidade. Não gosto de gente que vira a cara para a pobreza. Deixar de ver não diminui a culpa de ninguém. Fico louca com quem tem esclarecimento e não se dá conta como é o ciclo do capitalismo, a má distribuição de renda, o enriquecimento desenfreado de uns, o consumismo ridículo de outros, o empobrecimento derradeiro e latente nos arredores das cidades e a exploração do trabalho. Sou alguém que ama muito. Mas sou alguém que dificilmente sabe demonstrar. Também sou centrada, controlada, e ainda, controladora.
Na minha casa governa um matriarcado, e, sinto que esse tipo de regime ainda se perpetuará por gerações. Eu gosto de animais. Confesso que baratas me fazem pular de uma janela no 10º andar de um prédio. Meu pai mata baratas com a mão. Em compensação acho um sapinho lindo, mas ele tem medo. Sou uma pessoa que adora muito cozinhar. E comer também. Odeio lavar a louça, varrer a casa, limpar qualquer coisa. Por mim as coisas deveriam ser autolimpantes. Nunca quebrei nenhum osso, mas já torci meu braço quando era criança. Já pintei os cabelos de preto azul, já cortei Joãozinho, já lasquei a pontinha do meu dente de leite da frente. Já chorei a morte de alguns cachorros meus. Já dei muita risada por coisas muito idiotas, geralmente com os amigos, desde pequena. Já pensei em me matar, mas sem que precisasse morrer de verdade. Já fui posta para fora da aula de religião. Já tirei notas vermelhas, mas poucas. Já fui bem comportada. Era uma criança normal, nem tonta, nem desobediente. Sempre fui questionadora, mas sempre respeitei os adultos. Nunca me confessei numa igreja, pois não fui batizada. Hoje agradeço minha mãe por não me obrigar desde bebê a ser de uma religião que eu não quero. E mesmo assim, estudei em escola de freira. Já tive uma filha. E não sei o que é dor de parto nem de contração. Hoje ela é o ar que eu respiro. Já me perguntei como é que pode alguém chegar de repente na vida das pessoas e tomar conta do nosso sentimento. Enfim, eu sou assim... nem muito nem nada, sou simplesmente um ser humano...

1 comentários:

dogsonteteibol 30 de março de 2009 01:12  

Pra variar ótima a descricao super concretista, típica tua. Leitura agradável e MUITO MEGA engracada. Mas a parte que mexeu comigo foi a da barata e a do sapinho... tu pai tem medo mesmo?

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