quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Esquerda... e esperança...

“O muro caiu, o Che morreu, Marx é pura teoria arcaica e não serve mais para nada, o Fidel se aposentou e a esquerda no Brasil esta misturada com a direita, já não se tem mais para onde correr!"
Pós-modernos que me perdoem, mas que ilusão! O muro apenas caiu, mas quem vivia de um lado ou de outro, não caiu junto, nem tampouco caíram as ideias. O Che morreu, mas deixou parte sua luta pra as próximas gerações, nem que seja com outros instrumentos nem tão rústicos e em espaços nem tão cheios de natureza ao redor. Marx não será arcaico nem mesmo superado, enquanto houver luta de classes. Haverá luta de classes enquanto houver gente comendo resto de lixo, gente trabalhando quase irracionalmente por mais de dezoito horas a fio, gente exibindo extravagantes colares de brilhantes e coleções de carros impagáveis, tudo isso concomitantemente. “O Fidel se aposentou. Cuba é uma tragédia, pura lavagem cerebral”. Entre diversas argumentações, me reservo apenas a uma neste momento: prefiro lavagem cerebral num espaço de esquerda onde a desigualdade não me coma viva, do que a lavagem cerebral capitalista que a Globo nos obriga diariamente e nos faz cada vez mais violentos. “E a esquerda? Acabou? Estão todos misturados!” Não, a esquerda não acabou. O que se percebe hoje, na verdade é que pessoas de direita ocupam sim, espaços de esquerda. Como isso? Muito simples: temos pessoas sem o menor comprometimento social e nem sequer proposta de projeto de sociedade em que estamos lutando, e também com a menor identificação de um plano de esquerda de fato. O nó pode ter nascido de duas vias: a primeira, é que muitos grupos sem identificação social de esquerda de fato, sem projeto de esquerda, e sem ideologia de esquerda, se uniram em nome de um inimigo maior, chamado ditadura. Depois de lá, quando esta acabou, seguiram num mesmo caminho mas na essência dos seus projetos para uma sociedade socialista, não tinham uma proposta identificada. A outra possibilidade, creio ser a mais comum: o PT e forças de esquerda no Brasil, cresceram, e como todo crescimento, gente boa e gente nem tão boa assim, se aproxima. É o risco de ser grande. Não tenho a menor dúvida de que gente sem a menor identificação política com o que é de fato a luta socialista, esta hoje no PT também, e inclusive em altos cargos e altos poderes de decisão. Vide caso mensalão que o PT passou em 2005, e que muitas das laranjas podres seguem na carroceria do caminhão... Mas nem por isso se pode sair por aí afirmando que a esquerda acabou por aqui. Pelo contrário. Quem tem projeto fica. Quem não tem, vai e passa como água no rio. Às vezes passa fazendo alguma destruição, mas passa. Por isso que a esquerda de verdade desse país, não tem que recuar, quando a “própria esquerda” começa a converter mais à direita. E não vou aqui entrar no mérito da governabilidade, isso é outra categoria, outro tema. Estou falando de projeto de sociedade. Pois por mais proposta de governabilidade que se possa estabelecer, novamente repito: quem tem projeto, fica.

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