segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Na beira da praia tudo é do bem...


Nesses momentos de suposto relaxamento mental em plena beira da praia, depois de quase entrar em pânico para a entrega do projeto de mestrado, tava pensando...

Na beira da praia, todo mundo de biquini, os caras de sunga, de calção, de bermuda, enfim, aquele clima de verão, aquela coisa festiva, crianças correndo, muito sol, água no pezinho e coisa e tal... me vem várias coisas na cabeça. Uma delas, é que na praia todo mundo é meio "igual".

As pessoas se tornam automaticamente do bem.

Parece que na beira da praia todo capitalista safado chauvinista vira um homem qualquer, o traficante que encomenda vários assassinatos por mês, na beira da praia, é do bem.

O camarada ladrão que alimenta uma "oligarquia" na justiça brasileira, na beira da praia, é do bem.

O cara que explora várias pessoas inocentes em espaços religiosos, na beira da praia, é do bem...

O machista dos inferno que bate na mulher, na beira da praia, é do bem...

O homofóbico que transa com travesti de noite e de dia oprime homossexuais, na beira... ah... na beira da praia... é um homem simpático, cuidadoso, que orienta o filho a não jogar areia nas pessoas do guarda-sol ao lado...

Noooooooooooooooooossa, viva a beira da praia! Afinal, ali, as pessoas estão com poucas roupas, o máximo que se pode analisar são instrumentos como cadeiras e guarda-sóis, não há tanta facilidade de condenar pessoas por estereótipos e vestimentas que caracterizem grupos sociais, não há pessoas com marcas de tênis que simbolizem quem tem o poder, não há (na maioria das vezes) como dizer quem é rico quem é pobre pelo carro que está usando (a não ser que sejam praias em que se estacione carro em cima da areia com seus sons mega power hiper super potentes) enfim...

Olha que ambiente de paz é a praia... somos todos iguais na beira da praia...

Muda uns estilos de biquinis e de calções... mas não tem como distinguir a olho nu, o patrão, do explorado...

Viva a praia... que paraíso para o bom andamento da sociedade, que algumas pessoas consigam ir à praia e sentir o ar puro da maresia...

Aaaahhh o verão... nada como o verão para relaxar a desigualdade da cidade a caminho da "igualdade" na areia...

Que coisa, não???

Quem imaginaria que o carinha da cadeira do lado, que brinca com sua neta, alegre e feliz, pode ter sido um torturador militar no período da ditadura, né? Ah mas que coisa chata isso de nunca desligar o radar, pois afinal... é verão...

2 comentários:

2 de fevereiro de 2010 09:08  

larga desse computador e vai curtir a praia... vai!

Francisco 2 de fevereiro de 2010 16:57  

Sabe que eu sempre pensei nisso?
Que bom que escreveste sobre esse comportamento social litorâneo.
Uma outra variável dele é a data do natal:
Todo mundo abre a porta do elevador, todo mundo é gentil... Natal e Reveillon na praia então...

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