quarta-feira, 5 de maio de 2010

Religião


Este tema sempre entra em pauta quando o materialismo bate à porta, principalmente durante debates filosóficos, seja na aula, seja onde for...
Alguns se inibem de falar, outros fazem questão, outros preferem tratar de religiosidade, ou espiritualidade, ao invés da instituição religiosa em si.

Nunca me abstive desse debate, justamente porque aqueles que se colocam como sendo sem religião, ou até mesmo ateus efetivamente, em média são poucos e suas vozes não ecoam muito. É compreensível que não ecoe, pois a grande parte da população tem crenças religiosas, sejam elas quais forem, e lidar com crenças é mais difícil do que chegar à lua.

Até a lua se chega por avanço científico... já as crenças se enraizam na consciência mítica e não tem prova científica que chegue para convencer que elas não existem. Aí o ponto da questão.. não tem muita propositividade este debate de provar se existe ou se não existe.

Pois eu definitivamente acho que se é para alguém se sentir melhor, então que venham as religiões.

O grande problema está na parte cega da religiosidade. Na parte dominadora, na parte castradora e na parte opressora.

Na parte cega, o complicador é ficar jogando tudo para o obscuro como se a vida material nada pudesse fazer para modificar a realidade. E assim não avançar em nada na evolução de problemas sociais...

Na parte dominadora, o complicador é gestar massas e mais massas utilizando-se às vezes desse poder para mover certas montanhas, abusando da fé das pessoas.

Na parte castradora, o debate é mais de cunho sexual mesmo, pois muitas religiões seguem inferiorizando as mulheres e reproduzindo modelos machistas de comportamento social.

Na parte opressora, é onde mora o problema das crenças que agridem o ser humano na sua mais absoluta integridade, como as religiões que fadam a infelicidade eterna às pessoas que gostam de pessoas do mesmo sexo, entre outras opressões tanto veladas quanto escancaradas que grande parte das religiões tem.

Daquela porcaria que se transformou o programa do Jô, posso dizer que esses dias vi realmente uma entrevista que valeu a pena. Um ufólogo que não acredita em disco voador. Ele se colocava como ateu, justificando que anteriormente era budista, e que o grande problema das religiões era o monoteísmo, pois gerava sempre uma grande dominação e disputa justo pelo seu deus ser um único deus. Falou também sobre o budismo monoteísta que colocava Buda como único, mas que outras vertentes budistas politeístas também já não eram mais suficientes para ele.

Achei bem interessante, porque se formos raciocinar bem, o monoteísmo mais destrói do que ajuda. Os índios sempre foram politeístas e vivem sobre outra condição de sobrevivência e convivência político-social entre si.

Na verdade o monoteísmo reproduz exatamente uma mesma lógica da política, do modelo de estado que vivemos e desse sistema de personagens que comandam em absoluto.

E tudo vira uma coisa só.

Isso é interessante, porque tem pessoas que tem pavor de política mas participa assiduamente da vida religiosa que nada mais faz do que um sincretismo com a política, e também é em nome de um bem coletivo, um bem social, um bem de vida.

Por isso cada vez mais me convenço que devemos lutar pela reforma política (politeísmo - eheheheheheheheh, ou ateísmo de uma vez por todas), acabando com a figura do mártir salvador que engessa a população e deseduca para a vida em sociedade e para a vida política.

Mas é óbvio que isso seria para daqui umas noventa mil gerações... infelizmente...

Porque a vida espiritual reproduz a vida material e a vida material reproduz a vida espiritual, mas não necessariamente nesta mesma ordem.

E óbvio, preciso dizer aqui, a crença religiosa também tem seus pontos positivos, visto que a ciência e o sistema em que vivemos, muitas vezes não atende à diversas necessidades humanas, onde a fé acaba sendo fator impulsionador de uma maior qualidade de vida para alguns casos.

6 comentários:

Thais 5 de maio de 2010 19:27  

Toda a literatura religiosa poderia ser esquecida se a ordem fosse a fraternidade entre as pessoas. Toda essa busca política pela igualdade social estaria integrada à essa prática de solidariedade mútua. As diversas religiões existem por causa do atraso do homem em conhecer a si mesmo. Ora, pois, como que não conseguimos responder àquelas perguntinhas básicas: de onde viemos, para onde vamos, o que estamos fazendo aqui mesmo? Tamanha ignorância dá margem para o que a imaginação do homem é capaz de criar. Mas uma imaginação com uns fundinhos de verdades (pela natural intuição que trazemos da verdade um pouco ofuscada), que não se encontram, porque acabam esbarrando nas inúmeras diferenças entre uma crença e outra.
Ah, sobre o que fazemos da imagem de Deus, não creio que tornar-nos politeístas nos vá ajudar muito, tampouco ir a outro extremo de não crer em nada, mas o que acontece é a incapacidade da humanidade de achar que Deus é como um pai, com seus castigos e formas de educar humanos... somos crianças de três anos tentado entender física, assim somos nozes humanos tentando entender Deus. Imaginem as consequências...

Anônimo,  6 de maio de 2010 14:17  

'...e nozes somos as árvoros!

mãe

Leandro 7 de maio de 2010 15:53  

Bah que coincidência... eu tb falei de religião no meu blog. Não exatamente como tu, mas... dá uma olhada!

http://eucagoeando.blogspot.com/

Anônimo,  15 de maio de 2010 04:57  

Oi Fifi:
Vejo teu blog de tempos em tempos. A religião sempre foi um problema histórico. Deus é, para mim, muito mais um mistério. Mistério que sou vou desvendar, talvez, depois da minha morte - que, eu espero, demore bastante.

É por essas e outras que me considero um cristão sem igreja - apesar de ser bastante contestado por isso.

Abraços,

Levi Nauter.
www.levinainternet.blogspot.com
www.anotacoessobreumcristianismo.blogspot.com
www.florzinhadaminhavida.blogspot.com
www.paposmusicais.blogspot.com

Cláudio_DeLarge 20 de maio de 2010 17:49  
Este comentário foi removido pelo autor.
Cláudio_DeLarge 20 de maio de 2010 17:50  

Estava passeando pela comunidade HJE e deparei-me com seu blog. O primeiro texto que li e já adorei a maneira como escreve. :)

Sempre acreditei que a religião 'ignoraliza'. Hm... essa palavra é muito rote, prefiro usar 'irracionaliza'. Ela acaba sendo responsável pelo nosso acomodamenteo. Aceitamos sem questionar, por isso a imobilidade política. Como dizia Marx, "a religião é o ópio do povo".
:)

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