sexta-feira, 4 de junho de 2010

Propaganda Leviana


Pela campanha: hipocrisia, tô fora!
A campanha da RBS, bem como de políticos da direita como temos na cidade de Gravataí, que sustentam um bordão “anti-crack”, começam a evidenciar de que lado se fala quando o tema é “crack”. Mas o que quero dizer com “de que lado se fala?” Bem simples, de que projeto de sociedade se fala. De que origem social estas pessoas e órgãos falam. De que lugar se fala quando o tema é drogas. Falar de drogas do espaço elitizado, tanto destes políticos, quanto da emissora de televisão que exerce um bom trabalho em favor do projeto de sociedade individualista, egoísta e meritocrático, é no mínimo, contraditório. Mas por quê é contraditório? Porque tanto a televisão quanto o político gravataiense trazem o problema do crack descolado da gênese desta epidemia que toma conta em grande parte, da população jovem mais carente da cidade. Fazer blitz contra o crack, na minha humilde opinião, nada mais é do que tentar ascender às custas de demagogias sem a menor eficiência na realidade. Algum jovem em risco de uso do crack vai deixar de experimentar a droga por ter passado por uma blitz contra o crack? Ou porque viu propagandas publicitárias dizendo: “Crack nem pensar?” Um jovem pode deixar de usar crack sim, se tiver emprego, se tiver dignidade, se tiver um sistema educativo de qualidade, se tiver afeto dos que o rodeia, se tiver sua voz ouvida, se tiver acesso à cultura, se tiver o que vestir, o que comer, se tiver sua cidadania assegurada, se for respeitado enquanto jovem, dentro da sua diversidade e seus anseios. Os jovens precisam também, de acesso à informação sobre drogas, crack e violência. Evidentemente que sim. Aliás, a sociedade toda precisa de tudo isso. O que a sociedade não precisa, é de grupos ou políticos que nunca tiveram contato com a realidade mais cruel da periferia das cidades e utilizam um tema tão profundo, para inventar fotos bonitas e enobrecer suas imagens junto à opinião pública. Não basta falar no problema, é preciso materializá-lo e carregá-lo de conteúdo, ao invés de propagandeá-lo de forma vazia e hipócrita.

1 comentários:

Paola 11 de junho de 2010 09:30  

Querida Fifi!!!!

Ótimas análises sobre a falácia da RBS e de alguns oportunistas!
Precisamos entender esses bordões que são constantemente papagaiados, para além do que eles aparentam ser.
Destaca muito bem em teu texto a intencionalidade desses sujeitos que divulgam uma campanha que tenta combater a comercialização e consumo do crack sem sequer mencionar ou problematizar as suas causas concretas. É extremamente perverso uma campanha que, na tentativa de aparentar ser uma ação que está contribuindo com a superação de um problema social, na verdade contribui para ocultar que o uso exarcebado do crack (que causa violência, dor, marginalidade e FEIURA, mas para aqueles que não querem essa realidade - sim, pq a preocupação principal não é acabar com os malefícios da droga para seus usuários que em sua grande maioria são pessoas das classes populares, mas com o incômodo que causam àquelas pessoas que não querem seres marginalizadas ameaçando seus castelos de areia)é o efeito das desigualdades nas quais se pautam as relações sociais vigentes. Não problematizar as causas, o âmago do problema, além da cruel tentiva de culpabilizar os usuários da droga - quando não consideram a totalidade das relações que levam um ser humano a ser usuário de Crack - expressa a intencionalidade de uma autopromoção e não de luta por dignidade de vida!
Façamos esta (e tantas outras) denúncias!!!
Bjssssssss

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