quarta-feira, 17 de abril de 2013
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
O show do Jamiroquai em Floripa
Faz quatro dias que eu to mal não sei nem do quê. Tudo começou domingo. Estava tudo tranquilito, no más... até que envio um recado a um amigo perguntando o que poderia ser feito de bom na ilha de Santa Floripa num carnaval. E ele me diz: eu tenho um ingresso para o show do Jamiroquai e como tu não me respondia, ia passar adiante. Tudo deu certo e na hora certa. Eu!!!!!! Vendo Jamiroquai????? Jay Kay bem de perto? Coincidência ou não, no dia antes de viajar, resolvi botar o dvd no quarto e assistir "Jamiroquai ao vivo em Montreal". Bah! Um dvd do caralho! Eu sempre gostei do Jamiroquai porque imitava tudo que o meu irmão gostava. E dessa macaquice de imitação, acredito não ter atingido a tudo que ele gosta, mas boa parte foi assimilada. E ele é uma pessoa que nos influencia tanto, que até minha mãe passou a gostar de muitas das suas coisas, porque escutava o som tão alto, tão alto, tão alto, que sabíamos as letras das músicas das suas bandas preferidas por osmose. Com Jamiroquai não foi diferente. Ele aprendeu a gostar porque um grande herói, seu tio Betho Costa, gostava e o apresentou. O Betho era meio assim como o Amon, gostava de música e mostrava para os outros. Cada vez que o Amon voltava de uma temporada com o Betho em Floripa ou em qualquer lugar, voltava com um repertório novo. Blues, Soul, e outras coisas, inclusive punk rock, foi herança do Betho. E algo dessa herança chegou até mim. Nossa herança por parte da mãe, vem muito voltada para a música brasileira, jazz, coisas mais lights. O Jamiroquai é como se fosse uma coisa que ouvia desde pequena mas era inatingível. Tocaram no Brasil há uns 15 anos atrás ou mais, e nunca mais. Eu, jamais me imaginei indo num show deles porque não sei qual é o seu paradeiro. São ingleses mas não sei por onde tocam. Um mito da fifizice que eu jamais pensei que viveria para ver! Inclusive porque o Jay Kay tá ficando velho e seus passos meio "space cowboy" já não são mais como de antigamente. Ele ofegava, suava, cansava, dava para ver que já não é mais aquela piração total com mil piruetas. Mas isso não tirou a graça, muito pelo contrário, estava lindo, querido e aclamadérrimo por um povo que realmente era fã deles ali assim como eu. Não vou comentar que muita gente chegou naquela casa de shows depois que o show estava quase acabando, porque queriam ir só para a "festa" e mal conheciam o Jamiroquai. E também não vou comentar sobre os camarotes vips. Eram o quadro da dor. Meninas super produzidas com cara de quem não via a hora do show terminar porque não sabiam o que estava tocando ali. Eu não sei, deve ser alguma espécie de status dizer que foi num camarote, para ficar com cara de bunda ouvindo a banda que para mim era a mais desejada, como se fosse um sonzinho ambiente chato que não acaba nunca. Eu mal prestei atenção nisso, porque gritava muito, pulava muito, suava, cantava, nossa! Saí de lá rouca. E pensei: eu ganhei, de graça, e fui lembrada por esse amigo tão querido, o Rodrigo Borges Barcelos, não pode ser verdade! Ainda brinquei com ele, só falta eu quebrar o pé amanhã, porque é muita sorte a minha!!!!!!!! Pois bem, não quebrei o pé, mas estou há quatro dias de cama com febre e uma coisa na laringe, na faringe, nesses negócios aí, e não passa! E a febre não passa! E eu não consigo dormir de dor! Mas vai passar! E a memória da emoção e do show do milênio que eu fui, isso não vai passar!!!!!!!!!! Inesquecível!!!!!!!!!!!!!!!! Doente, mas emocionada!!!!! Nossa, como gritei! Há muito tempo não gritava tanto. Me senti uma adolescente. Mas foi pura emoção.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Uma coisa só...
Porque eu passei uns quinze anos me preocupando só com o mundo. E tinha raiva de quem se preocupava consigo e com os seus, apenas. Porque eu esquecia de alimentar a alma muitas vezes. O tempo de se preocupar com o mundo era o tempo da vida. Quando vi, me preocupei tanto em mudar o mundo que pouco me preocupei comigo. Me sentia culpada se faltasse uma reunião dessas que se faz para mudar o mundo. Hoje me sinto culpada de não ter faltado mais essas reuniões para cuidar de mim e dos meus. Porque somente cuidando de mim e dos meus, que consigo ter paz para mudar o mundo. E cuidando do mundo, percebo que cuido de mim e que os meus são todos aqueles precisam de um mundo melhor. Porque somos uma coisa só.
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Amigo é coisa para se guardar...
Há muito tempo eu venho pensando nisso. E nunca expresso por escrito de forma organizada. Como hoje eu estou, digamos, com a mente relaxada... resolvi escrever. A família é importante, os amores... tudo isso faz parte da vida. Mas os amigos, putz! São os campeões de clichês, talvez porque seja real mesmo esse negócio de que amigo não se tem por obrigação. Amigo é escolha. Ninguém é amigo para agradar. Ninguém é amigo porque tem que ser amigo. Ninguém é amigo por obrigação. Ninguém é amigo porque pagaram-lhe um "dote" medieval e é preciso estar com ele. Ninguém é amigo porque um achou o outro bonito e resolveu ser. Amigo é uma coisa sem explicação. As pessoas são totalmente diferentes, e, no entanto, se adoram! Amigos genuínos que confiamos nossos segredos, que dividimos nossa alegria, nossa tristeza, são engrenagens muito especiais para fazer funcionar a máquina da vida. Não importa quantos sejam. O que importa é o quanto são especiais. Tem amigos que nunca se veem e não perdem essa sensação. Tem amigos que se veem sempre, que se trocam sempre. Tem amigos que é só de vez em quando mas um sabe o que o outro pensa e como se sente. Tem amigo de todas as cores, de todos os sabores e de muitos amores! É um eterno "respeitar" e aprender sobre a forma e o conteúdo do outro. É um ensino constante. Amigo pode ser um poço de crítica mas também é um baú de esperança. Principalmente quando não estamos muito bem. Tem os amigos previsíveis, aqueles que a gente já sabe o que vai falar sobre nós. Tem os imprevisíveis. Tem os mais críticos, os mais tranquilos, os mais chatos, os mais engraçados. Tem os mais abobados. Tem os mais estudiosos... tem os que se colocam na nossa pele. E tem aqueles que nos desafiam a ousar sempre. Eu tenho a sorte de ter amigos e amigas desde pequena, até hoje. E também tenho a sorte de ter amigos que conheci há pouco e parece que os conheço desde que nasci. Eu não sei o que seria da minha constituição enquanto ser humano se não fossem essas relações de troca. Quando estava casada, e agora solteira, continuo com a mesma intensidade nas amizades que sempre cultivei, com a mesmíssima força. Porque amigo é amigo. Desde as piores situações até aquelas em que a gente imagina com quem vai dividir o dinheiro da Mega Sena acumulada da virada... hehehehehe (eu não jogo na mega sena, tá, isso foi uma piada). Se um dia eu morasse bem longe destes amigos todos, acho que sofreria um bocado. Porque todos eles fazem parte da minha vida. Cada um de um jeito, cada um com uma especialidade e uma personalidade sui generis... mas sobretudo pessoas que me fazem compor o meu "todo". MEUS AMIGOS TODOS!!!!!!!!!!!! EU AMO VOCÊS!!!!!!!!!!!!
Continue lendo >>segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
que venha o novo...
Esse blog deixou de ser feito de devaneios meus para se tornar "meu querido diário". Por isso resolvi parar com essa cachaça. Pelo menos hoje. Porque as minhas decisões são tão veementes que basta dormir e acordar para ter mudado completamente de ideia. Isso é o que dá estar em pleno estado de férias e em plena crise de ansiedade... O que me agrada é que cada crise se transforma numa nova composição feita de uma misturança entre o velho e o novo. E que surjam as novas crises para que eu nunca morra de nenhuma fórmula eterna! Se tivesse que fazer parte de uma fórmula eterna morreria de desgosto antes.
Continue lendo >>quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Questão de totalidade
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Quem cuida da cuidadora? Quem cuida do cuidador?

Estava tudo indo normalmente até que recebo uma mensagem no celular bem no meio da aula. Era minha mãe. Só dizia assim: “Hj 30 anos da morte da minha mae” – só assim, não tinha ponto, não tinha til, não tinha nada. Foi o suficiente para eu levantar da cadeira no meio da minha aula de terça-feira com a Professora Carmen Machado, e ir até o banheiro. Não sei explicar o que senti, só sei que as lágrimas começaram a rolar desgovernadamente e eu me peguei pensando por quê chorava. Por que chorava se não conheci minha avó? Por que chorava se todos que conviviam com ela já haviam se acostumado trinta anos sem ela? Por que chorava se a morte, cedo ou tarde aparece principalmente nas gerações que vêm primeiro?
E um filme passou na minha cabeça enquanto arrumava o rosto no banheiro.
Minha avó Stella tem o mesmo nome da minha filha. Eu nunca a conheci, aliás, ela me viu uma vez, quando eu não tinha sequer um mês de vida e minha mãe me enfiou dentro de uma mala e burlou a passagem no hospital para poder mostrar a filha recém nascida à sua mãe que morria de câncer em Florianópolis. Foi a única vez que tive contato com ela. Com o passar dos anos e da convivência com a família e as histórias que ouvia, sempre me senti próxima a ela, mesmo sem nunca ter a visto. Via as fotos dela nas coisas da minha mãe e da minha tia avó, e achava ela bonita. Achava ela exótica. Uma mulher que parecia chamar muito a atenção por onde passava. A mãe me contava que ela só tirava fotos se estivesse bem bonita e bem arrumada, senão não deixava ninguém fotografar. Foi mãe de quatro filhos, três meninos e uma menina. Teve uma infância em orfanato e seu grande alicerce para viver foi sua irmã, onde uma cuidava da outra. Casou com meu avô e com 44 anos morreu de câncer.
Um câncer destruidor que não deu muito tempo de vida e nem de preparo para a morte. Minha mãe tinha só 24 anos e com uma baita barriga de gravidez soube que a mãe estava morrendo.
Só eu sei o que o número 44 significava para mim. Quando eu era criança o meu maior pesadelo, o impensável, o que eu não permitia nem cogitar, era a chegada da minha mãe aos 44. Parecia que cada ano que a minha mãe passava além dos 44, era um ano ganho, tamanho era o meu medo de que ela morresse de câncer ou de qualquer outra coisa. Uma vez sonhei que a minha mãe havia morrido, acho que eu tinha uns 12 anos. Passei uma semana inteira mal. Tinha raiva daquele pensamento. O meu maior medo sempre foi perder minha mãe. E comecei a entender por que alguém que eu não conhecia fazia tanta parte da minha vida. Eu via as fotos dela pela casa da Tia Lygia e sentia como se eu a conhecesse intimamente. Eu passava horas e horas a fio só imaginando como seria ter conhecido ela. Ter convivido com ela. Quando eu era criança, chorava baixinho de saudade dela. E eu nem a conheci!
Foi vendo na minha mãe, toda a amorosidade e afeto que ela carrega nela, que entendi como se perpetua uma saudade de alguém que nunca se conheceu. Nas coisas que a minha mãe faz, nas coisas que ela é, tem um pouquinho de pai e mãe, tem muito de história e tem um processo incessante de aprendizagem que a gente leva para a vida toda e passa adiante.
Eu não sei, mas tem coisas na cozinha que eu aprendi com a minha avó. E não foi ela que me ensinou. Foi minha mãe. Tem coisas no meu jeito de ser que eu aprendi com a minha avó. E não foi ela que me mostrou. Tem coisas no meu temperamento que dizem respeito a ela. Tem formas de agir e de reagir, que aprendi com ela, mesmo sem ela saber, mesmo sem eu saber.
O que mais forte me bate nisso tudo, é ver a minha mãe, aquela que me cuidou, sem o seu alguém que a cuidasse. Porque pai e mãe cuidam. Mas na nossa sociedade, ainda quem cuida por definitivo em grande parte é a mãe. E eu passei uma vida inteira vendo a pessoa que eu mais amava sem a sua cuidadora. Para a cabeça de uma criança é muito triste. E a criança cresceu, a mãe cresceu, e ainda sinto o quanto ela precisa da sua cuidadora. O quanto uma pessoa de 54 anos precisa de cuidado. Não qualquer cuidado, mas o cuidado especial. Eu sei que não tenho sido uma boa cuidadora para ela, mas sempre quis ser, porque sempre achei muita crueldade ela ter enfrentado toda uma vida sem a sua cuidadora. Com dois filhos, um casamento nada fácil, uma profissão que exige dedicação e uma vida militante ativa. E pensando isso, me pego pensando que não tem idade para querer ser cuidado. Não tem idade para sentir saudade da mãe, não tem idade para ter inseguranças, não tem idade para ter medo do escuro, do trovão, da chuva forte.
Ela vive falando sobre o cuidado. Eu no meu egoísmo, muitas vezes não cuido. E ela não sabe, mas cada vez que descuido, se apaga uma luz dentro do peito e ele fica sombrio e apertado. Sem a minha cuidadora, eu não sei como seria minha vida. E me entristeço de pensar que um dia eu e ela não estaremos mais juntas, mas ao mesmo tempo me dá vontade de cuidar dela até o último minuto.
E pensando nisso, foi que eu entendi porque meu dia se entristeceu quando me dei conta que meus trinta anos de vida também representam trinta anos de saudade. E podem se passar os anos que forem, nada se perderá, tudo se transformará. E cada geração só faz sentido porque carrega algo da geração que a antecedeu e assim por diante. E esse sentido não precisa ser exatamente um filho e nem ser de sangue, mas sim, de história.
Algumas teorias sobre o ser humano defendem que os mamíferos se caracterizam principalmente por necessitar de outro mamífero para o seu cuidado. E que os seres humanos se diferenciam dos outros mamíferos pois sem afeto não vivem. Sem afeto morrem.
E eu me pergunto, principalmente lembrando das pessoas que gostam de ser cuidadosas com todo mundo: quem cuida do cuidador? Esse vídeo eu fiz para ela no aniversário de 2012.
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