quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sensação estranha



É a primeira vez que tenho essa sensação na vida. Nunca pensei, enquanto estava do outro lado da conversa (enquanto aluna), que um professor passasse por isso. Aliás, jamais poderia imaginar.
Começo dizendo que só em falar nisso me dá vontade de chorar. Que estranho. Professora chora.
Quem não me conhece direito, ou talvez quem me conhece mas nunca conversou sobre isso comigo, talvez estranhe também, ou até ache demagogia minha. Mas não vim me explicar, vim apenas desabafar comigo mesma e com quem quiser ler este blog.
Ano passado tive minha primeira experiência efetivamente como professora de sala de aula. Até então fiz apenas “aparições” como estagiária universitária, ou pequenas participações sem maiores envolvimentos, tanto afetivos quanto burocráticos de ensino.
Trabalhei a disciplina de História para ensino fundamental e Sociologia, Filosofia e Psicologia para o médio. Duas escolas públicas diferentes de Gravataí. Foi um ano atípico, pois pude definitivamente saber do que estão falando estes professores de sala de aula, e do que estão falando estes alunos contemporâneos.
Bah, que experiência. Para quem está há anos no magistério é corriqueiro, é habitual, por mais que tenha muito gosto pelo seu trabalho, é o “comum”, passar por isso todos os anos. Mas para quem estava recém começando, tudo era novo. Inclusive o que sinto agora, também é novo. E me pergunto, se eu tivesse continuado, como seria o ano seguinte. Tenho a mais serena certeza que seria melhor ainda. Seria mais firmamentos de laços ainda. Não consigo enxergar a insatisfação com eles nem a rotina chata do dia-a-dia de sala de aula. Cada dia foi um dia. Um dia diferente.
Eles que me refiro, são os alunos, o grande motivo da minha sensação estranha.
A sensação estranha que me refiro, é a saudade. Putz, eu tenho sofrido de saudade. Não sei como lidar com isso, pois acho que os mais de 150 adolescentes que participaram da minha vida ano passado não passaram desapercebidos. Estão todos aqui, dentro da minha memória e do meu coração, lembro de todos, de como todos se dirigiam a mim, de como todos reagiam a certas coisas, da amorosidade de cada um, da personalidade de cada um, do jeito de cada um, e se duvidar, do sobrenome de cada um, até daqueles que já briguei, até daqueles que torraram o saco em determinados momentos, e colocaram em cheque qual a melhor “pedagogia” a se firmar naquele momento.
Essa sensação estranha, é a de saber que esse ano estou longe deles, é de ver um aluno na rua e perceber que ele cresceu, e que eu não acompanho mais nem isso. Bah, trabalhar a Sociologia ano passado, a minha verdadeira paixão, com alunos e alunas do segundo ano, por exemplo, e confirmar a minha hipótese de que há muita vida e sentimento coletivo, transformador dentro dessas mentes, me rendeu até homenagem com banho de refrigerante no meu aniversário. Eu acho que isso não esqueço nunca mais, a bagunça que os guris fizeram numa sala, lavando todo mundo de refri. Sim, subverti algumas ordens, alguns conteúdos, algumas normas e talvez até algumas pedagogias. O que me fez sentir cada vez mais próxima deles e não da burocracia de ensinar e alcançar objetivos inócuos pra “inglês” ver. O trabalho e conscientização a respeito de questões geradas pelos mais diversos preconceitos, me rendeu outra história na disciplina de História. Foi uma das coisas mais apaixonantes que já fiz. Trazer o contexto histórico lineado por ações preconceituosas, para a vida real. Comecei com o nazismo, e aí deslanchamos diversos debates. Mas debates muito ricos. Me impressionei com cada trabalho, cada colocação, criatividade, cada processo de avanço daquelas cabecinhas brilhantes que me deram orgulho o ano todo. Junto com tudo isso, a relação humana com todos eles foi o grande ponto do sentimento que estou agora. Quando o final do ano se aproximava, eu ficava mais triste. Sabia que teria férias e que seria legal, mas também sabia que dificilmente seria professora deles de novo. E assim, fico a me comunicar no Orkut, ou as vezes quando encontro alguém na rua, mas o contato da rotina, não teria mais. Primeiro porque era professora contratada e não concursada. Segundo que alguns se formaram e saíram da escola. Esses que se formaram me orgulhavam demais, pois avançariam uma etapa importante a mais na vida. E os que ficavam, de certa forma eram um pingo de esperança de continuar os vendo na escola como professora. Mas já imaginava que não daria para continuar. E isso me consumia.
Esse ano, 2009, confirmei que sentiria tudo isso, e com muita intensidade. Escrevo este texto agora, com os olhos cheios de lágrimas mas cheios de felicidade, por me dar conta que essas pessoas mexeram tanto com a minha vida, e que tenho certeza ter escolhido o melhor a fazer na vida: educar. Mas não simplesmente educar por educar, e sim, educar para estar sempre próxima de pessoas que me acrescentaram muito no que sou, e que de certa forma posso ter contribuído também para alguma coisa na vida deles, e que de tudo isso se gera um sentimento de não estarmos sozinhos no mundo, e de solidariedade humana, e de esperança de transformação de um mundo melhor. Essa noite, assim como muitas outras, sonhei com meus alunos, e hoje acordei precisando falar isso.
Mas esta não é uma história de tragédia, é, talvez, uma história de esperança.

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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Emir em Gravataí


Sim, conseguiu-se trazer uma grande figura para fazer uma palestra aqui na cidade... e por falar em grande figura... ah!!!
Que maravilha!! Debates sobre o Fórum Social Mundial do ano que vem... que alívio... pensei que desde que este estado foi sucateado, nunca mais ouviria-se falar em FSM.

O Emir é um destes grandes homens e mulheres que idealizaram este Forum e agora está aí, com vida, pernas e coração a todo vapor.

Sim, o Rio Grande do Sul lamenta também a Desgovernança Solidária do Sr Fogaça, mas...

O próximo FSM está aí pra mostrar que aquela ladaínha de "aproveitar o que era bom e mudar o que era ruim" foi pura história pra boi dormir.

Hoje não estou inspirada, pelo contrário, os passarinhos não acordaram verdes nem azuis... então, apenas dei uma passadinha para divulgar esse grande homem na Aldeia dos Anjos, a Gravatahy.

Sexta, dia 24 de abril, às 20h na Câmara de Vereadores.

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