domingo, 20 de dezembro de 2009

Os políticos de direita tem projeto de sociedade?



Por muito tempo eu acreditava inocentemente que os políticos de direita não tinham projeto de sociedade, e exatamente por isso eram de direita.
Depois comecei a me dar conta que não. É exatamente na manutenção do sistema exploratório capitalista que está a essência do projeto de sociedade desta camada de políticos. Manter este sistema significa alguns aspectos: 1) disseminar sociedade afora que são neutros; 2) Defender os patrões e donos de mega empresas que às vezes nem eles mesmos sabem quem são, no estilo S.A.s da vida onde quem esta lucrando de verdade é um ser onipotente e onipresente que nenhum mortal jamais viu; 3) Instigar que a população se revolte com qualquer tipo de manifestação popular ou pessoas que reivindicam seus direitos – esses, geralmente, apelidados de “baderneiros que não querem pegar numa enxada para trabalhar”, 4) Viver na lógica do aqui e agora – dá uma ajudazinha para o amigo aqui, uma mão para o vizinho ali... como se não estivesse ali representando a sociedade de modo geral; 5) Na educação de direita a diferença é gritante: agora inventaram que eleição de diretores é inconstitucional! Dá para acreditar? Isso seria medo de que a sociedade começasse a andar com suas próprias pernas? 6) Não poderia deixar de citar os coronéis – estes são aqueles que exercem uma opressão direta ao grupo que o representa, de onde nenhuma decisão é fruto de ação coletiva, mas de seus caprichos pessoais e personalistas. Em Porto Alegre pudemos perceber o enfraquecimento do Orçamento Participativo depois que o Fogaça assumiu, pois é fato que a direita se incomoda com esse negócio de “povo” se metendo em decisões importantes da cidade. E por aí vai... isso daria até um manual... se alguém ainda não tiver escrito um manual do Político de Direita, eu gostaria de fazê-lo... mas por enquanto não estou disposta, pensar na safadeza de forma enumerada me irrita um pouco...
Da amorosidade otimista à acidez incontrolável da escorpiana... pois afinal, eu nem acredito muito em horóscopo, mas é incrível como tem coisas que fecham... ehhehehehe

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Parada Gay de Gravataí


Porque essa bandeira também é uma questão de política pública. Por isso dá orgulho quando um órgão público assume para si este ato simbólico, junto aos demais órgãos organizadores. E que venham mais ações concretas neste sentido.

Neste Domingo dia 13/12, às 14h no Parcão de Gravataí.
Todos lá!

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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Esquerda... e esperança...

“O muro caiu, o Che morreu, Marx é pura teoria arcaica e não serve mais para nada, o Fidel se aposentou e a esquerda no Brasil esta misturada com a direita, já não se tem mais para onde correr!"
Pós-modernos que me perdoem, mas que ilusão! O muro apenas caiu, mas quem vivia de um lado ou de outro, não caiu junto, nem tampouco caíram as ideias. O Che morreu, mas deixou parte sua luta pra as próximas gerações, nem que seja com outros instrumentos nem tão rústicos e em espaços nem tão cheios de natureza ao redor. Marx não será arcaico nem mesmo superado, enquanto houver luta de classes. Haverá luta de classes enquanto houver gente comendo resto de lixo, gente trabalhando quase irracionalmente por mais de dezoito horas a fio, gente exibindo extravagantes colares de brilhantes e coleções de carros impagáveis, tudo isso concomitantemente. “O Fidel se aposentou. Cuba é uma tragédia, pura lavagem cerebral”. Entre diversas argumentações, me reservo apenas a uma neste momento: prefiro lavagem cerebral num espaço de esquerda onde a desigualdade não me coma viva, do que a lavagem cerebral capitalista que a Globo nos obriga diariamente e nos faz cada vez mais violentos. “E a esquerda? Acabou? Estão todos misturados!” Não, a esquerda não acabou. O que se percebe hoje, na verdade é que pessoas de direita ocupam sim, espaços de esquerda. Como isso? Muito simples: temos pessoas sem o menor comprometimento social e nem sequer proposta de projeto de sociedade em que estamos lutando, e também com a menor identificação de um plano de esquerda de fato. O nó pode ter nascido de duas vias: a primeira, é que muitos grupos sem identificação social de esquerda de fato, sem projeto de esquerda, e sem ideologia de esquerda, se uniram em nome de um inimigo maior, chamado ditadura. Depois de lá, quando esta acabou, seguiram num mesmo caminho mas na essência dos seus projetos para uma sociedade socialista, não tinham uma proposta identificada. A outra possibilidade, creio ser a mais comum: o PT e forças de esquerda no Brasil, cresceram, e como todo crescimento, gente boa e gente nem tão boa assim, se aproxima. É o risco de ser grande. Não tenho a menor dúvida de que gente sem a menor identificação política com o que é de fato a luta socialista, esta hoje no PT também, e inclusive em altos cargos e altos poderes de decisão. Vide caso mensalão que o PT passou em 2005, e que muitas das laranjas podres seguem na carroceria do caminhão... Mas nem por isso se pode sair por aí afirmando que a esquerda acabou por aqui. Pelo contrário. Quem tem projeto fica. Quem não tem, vai e passa como água no rio. Às vezes passa fazendo alguma destruição, mas passa. Por isso que a esquerda de verdade desse país, não tem que recuar, quando a “própria esquerda” começa a converter mais à direita. E não vou aqui entrar no mérito da governabilidade, isso é outra categoria, outro tema. Estou falando de projeto de sociedade. Pois por mais proposta de governabilidade que se possa estabelecer, novamente repito: quem tem projeto, fica.

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Essa juventude esta perdida!!!


“Cada vez mais me convenço de que a nossa juventude esta perdida e o destino é o mais trágico que se possa imaginar...”
Ora vejam, temos muitos exemplos disso... na escola, a menininha de sete anos colocou o papelzinho da bala na lixeira. Na hora de ir embora, sua mãe jogou um saco de bolacha no chão bem na porta da saída. E a adolescente dessa mesma escola, que na sala de aula em épocas de eleições perguntava sobre política, sobre políticos, sobre como funciona tudo isso, e a professora desta mesma escola na sala dos professores dizia: “ui, não suporto política, políticos são todos safados...” Ah mas tem casos mais interessantes: os jovens, meninos e meninas, estão cada vez mais tendo a capacidade de demonstrar afeto. Afeto este, que talvez não recebam em casa, pois homem encostando em homem boa coisa não vai dar... Ah, mas adolescentes se tocando deve ser proibido, afinal, onde isso vai parar? E no meio disso tudo havia me esquecido, que a população pedófila, que independe de classe social (pedreiros, médicos, advogados, desempregados, etc.), só se toca escondido mesmo, e daí o toque é pra valer, sem essa frescurinha de beijo na rua... E o adolescente de 17 anos, lá do Conselho Tutelar? Não tem mais para onde ir, usa crack e fica violento, o tio quer matá-lo. Ah, mas no histórico dele diz: “o menino ia buscar droga no boteco para o pai desde os 4 anos de idade”. Que menino mau. E essa juventude alcoolizada, então? Essa nem se fala. O vô do Joãozinho botava o dedinho dele na cerveja desde um aninho... toda família achava engraçadinho. Tem também a parte da juventude que esta perdida pelo seu visual. Já viu homem macho botar dois brincos? Isso é coisa de boiola. Claro, visto que sexualidade, caráter, honestidade, integridade, solidariedade, amor e humanidade se mede pela quantidade de brincos ou de tatuagens que se faz. Além do mais, esqueci do código coletivo imaginário da homofobia, onde as referências negativas do espírito conservador brasileiro refere o homossexual a tudo que é ruim, inclusive as piadas sem-graça estão no “Top Ten” do preconceito. Mas me questiono: quem é mesmo que sustenta a vida paralela da prostituição de travestis? Os jovens? Cada vez menos, pois os jovens que querem ter relações homossexuais estão conseguindo cada vez mais se libertar sem a necessidade da calada da noite. Isso sem nem falar de menino que usa cabelo comprido... e os roqueiros? Estes sim! Só escutam música barulhenta e são todos drogados... mas até hoje em todas as turmas que trabalhei, de modo geral, eram estes os que mais se manifestavam insatisfeitos com esse sistema... Sistema no qual ainda temos muito o que viver e muito o que transformar... e a gurizada esta bem antenada! Talvez alguns que já não são mais tão jovens não consigam entender que mundo esta melhorando, e as pessoas estão conseguindo se libertar das amarras do conservadorismo e do individualismo. Grande parte dos jovens de hoje conseguem enxergar a margem de miséria que assombra o mundo e que interfere na vida de cada um. A juventude esta perdida mesmo? Ou os jovens que reproduzirem uma fórmula falida de sociedade é que estão perdidos?

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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Formação LGBT

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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sábado - Festa!!

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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dúvidas...



São tantas dúvidas...

De qualquer forma elas me fazem bem.

Me movem a buscar sempre mais.

Se não fossem elas minha vida não aconteceria...

Não teria nem sequer o que pesquisar, o que instigar, o que melhorar, o que libertar...

Coitados dos que pregam certezas...

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Personificação das coisas e coisificação das pessoas


Essa frase foi ilustremente utilizada pelo professor Gaudêncio Frigotto, numa excelente explanação feita na UFRGS esses dias.

Abre um leque de debate muito rico.

Poderia falar mil coisas sobre essa pequena frase, mas nesse momento me ocorreu ressaltar uma:

As marés intermináveis de pessoas com seu senso crítico decepado da cabeça aos pés. Que aumentam a cada dia.

Que não nasceram hoje. Se arrastam desde a inquisição.

E agora, ao mesmo tempo que o capital prega a liberdade de tudo (veladamente, pois livre mesmo é só o $$$$$), temos concomitantemente a pregação protestante.

E nessas vertentes, olha a grosso modo, quanta coisa se confunde:

Da ética protestante nasceu o sistema econômico vigente.
E do sistema econômico vigente, nasceu o discurso da "liberdade". Ainda que o discurso da "liberdade" seja estritamente econômico, às vezes ele se "falsea" e diz que o "povo deve ser livre!" Ok, livre pra consumir. Trabalhar para poder pagar o que produz. No meio desse engodo, o discurso da "liberdade" foi tomando outras rédeas... e não é que alguns povos ou partes desses grupos de explorados resolveram que a "liberdade" também deveria estar citada nos direitos, ir e vir, relacionar-se com quem quiser, deixar de ser a piada da turma por conta de sua cor ou condição financeira, e por aí vai?

E no meio do engodo se viu que tinha muita gente pregando "liberdade"... mas não era aquela que se pensava... liberdade que se pensava poderia estar restrita especificamente ao comércio de riquezas e exploração de mão-de-obra que estaria tudo bem...

E da mesma ética protestante... nascem grupos que pregam o total enquadramento humano nos moldes "homo obedientus"... (que bonito, inventando palavra em latim!!)

Convenhamos, o "homo obedientus" existe desde que um hominídeo descobriu que com um pedaço de osso ele poderia oprimir outro...

Só que cada vez mais os pedaços de ossos não são tão violentos assim, eles cada vez mais agem nas estruturas da sociedade...

Que nó, né?

Mas era isso.

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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Diretamente do Reino Encantado da Hipocrisia, na terra de Tão Tão Perto...


Era uma vez...

O Reino Encantado da Hipocrisia começa a fazer sentido para mim. Antes não tinha muita paciência com o Reino Encantado da Hipocrisia, só era capaz de forma pragmática, de achar que a hipocrisia era uma escolha...
Bom, não deixa, de certa forma, de ser. Mas de repente o que acontece é que é uma escolha velada. O exercício do desvelamento dessa hipocrisia não se dá assim de forma tão fácil e muitas vezes nem se dá.
Na terra de Tão Tão perto, geridos pelo reinado absoluto das majestades encantadas da hipocrisia, acontecem coisas que verbalizando ninguém acredita. Ou até mesmo se duvida. Isso quando não passa batida e ridicularizada como “teoria da conspiração”, para os mais simplistas...

Pessoas passam a vida a controlar pessoas, e a forma mais violenta delas é o controle moral, que depois às vezes se exterioriza até em controle violento físico. A moral sempre esteve a serviço de um grupo minoritário que controlou um grupo inúmeras vezes maior. Na verdade, quando falo em moral, estou falando de um instrumento constitutivo da conduta humana daquele grupo ou local, que por muitas vezes faz os mais variados pensamentos individuais se tornarem uma fronta à felicidade. Felicidade essa, que tanto pode ser individual ou coletiva. Não se trata de classificar que moral é boazinha ou que moral é má, mas sim, de detectar a quantidade de gente da terra de Tão Tão Perto, que sofre o resultado de dívidas cruéis do Reinado das Majestades Encantadas.
No Reino Encantado da Hipocrisia, acontecem coisas interessantes. Nada tão individual e nada tão coletivo. Tudo na mais profunda desarmonia, porém, num caos organizado. Acredita? Na terra de Tão Tão Perto o caos é organizado. O caos tem hierarquia, regras, leis, ordens, normas, etc. A grande novidade desse pedaço de terra em meio aos demais Reinos, é que a ordem do caos confunde a cabeça dos plebeus, a ponto deles pensarem que o caos não existe. E digo mais, a maioria dos plebeus repetem feito papagaios que esse papo de que tem caos no reino, é coisa de quem não tem mais o que fazer. Tem plebeu que diz que os mais miseráveis são assim por escolha, pois se pegassem numa enxada teriam o que comer.

Mas além disso tudo, tem outras coisas interessantes nessa terrinha tão curiosa Olhem só: tem escola nos arredores do reino. As majestades gostam de dizer que a plebe tem direito à educação. O curioso é que os assuntos que os professores ensinam para os filhinhos da plebe não significam quase nada para eles. E sabe do que mais? Muitos dos professores receberam esta mesma educação, não aprenderam quase nada, e hoje repetem tudo aquilo que não aprenderam, para os seus alunos. Lá em Tão Tão Perto se faz um estudo por um tempo, onde dizem que as pessoas saem aptas ao ofício de professor. O ofício de alfaiate, em grande parte, se aprende tendo um equipamento e aprendendo a meter a mão na massa.

Eu gosto de estudar esse Reino, porque ele tem política para tudo. Até mesmo quando não tem.

Olha que interessante: no Reino Encantado da Hipocrisia, as minorias são as maiorias. Como isso? É bem simples. O poder das majestades sempre esteve ameaçado. Em torno dessas ameaças, esse pequeno grupo convenceu o grande grupo, que eles eram minorias. As mulheres plebeias tem mais de 50% da população e são chamadas de minoria, os plebeus que foram roubados de outro continente para trabalhar de graça são hoje grande parte da população de Tão Tão Perto e são chamados de minoria, as pessoas que tentam externalizar suas mais variadas formas sexuais de relacionamento são chamadas de minoria, como se as majestades fossem assexuadas.

Ih, o Reino Encantado da Hipocrisia tem tantos elementos interessantes e contraditórios, que não vai caber num relato só.
Viajo todos os dias para conhecer um pouco mais desse Reino e dessa terra, e a cada dia faço uma descoberta diferente.
Entre essas descobertas, conheci as mais variadas formas de resistência e transformação do mundo vivido pelos plebeus. Essa parte da história é bem legal. Ficam para as cenas do próximo capítulo...

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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Dando um F5 no Blog... ehehhehehe

Bah, quando eu vi que até o blog do Pedro e da Dog estavam mais atualizados que o meu, me apavorei. Caí na real. É que lidar com 2 blogs dá um nó na cabeça da pessoa, muita informação, muita coisa.

Eu tava querendo postar um texto sobre a marcha lésbica que teve neste último domingo, mas daí pra ajudar a máquina ficou sem bateria e não consigo baixar as fotos... daí não quis postar sem foto e tals...

A real é que eu tô bem relaxada meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeesmo!!!

Mas eu vou voltar ao normal, tá??

Um beijo da goooooooooooooooooooooooorda!!!

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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Homossexualidade em debate:


Por Leandro Consoni, militante lgbt
Navegando entre sites polêmicos, coisa que faço com freqüência, me deparei com uma notícia que acusa o senador Romeu Tuma (PTB-SP) de homofobia. Durante uma audiência pública na CPI da Pedofilia o cara resolveu perguntar se o médico Wagner Rodrigo Brida, investigado por abuso de crianças, é homossexual. Pergunto: Qual a relação existente entre a orientação sexual do cara e o fato dele supostamente ser um pedófilo? Nenhuma, é óbvio. É esse tipo de opinião que reforça o preconceito. Pensar que a pedofilia, que é crime, pode estar relacionada com a homossexualidade é um absurdo. Se o senador não sabe existem pesquisas que confirmam que a maioria dos pedófilos são heterossexuais. Portanto, não existe motivo nenhum para perguntar para uma pessoa suspeita de pedofilia se ela gosta de meninos ou meninas. É por isso que temos que lutar contra qualquer tipo de preconceito. Precisamos mostrar que não somos criminosos e que os direitos devem ser iguais, não importando com quem dividimos a nossa escova de dente.

Na imagem, Romeu Tuma.

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domingo, 9 de agosto de 2009

Nova arte da juventude do PT de Gravataí

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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Colagem


A cidade de Gravataí amanheceu mais bonita essa semana... uma galerinha de fé, na fria noite de domingo, colou cartazes "Fora Yeda" pelos tapumes da cidade. Foi um ato coletivo de muita coragem, pois sair nesse frio que tem feito, é realmente querer muito que a desgovernadora Yeda Crusius Credus levante suas bagagens da cadeira do Palácio Piratini, e vá sentar numa banqueta lá do centro do inferno... ehehhehhehe

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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Do ventre nasce um novo coração


Segunda-feira passei por aquele momento em que paramos para filosofar e ressignificar o sentido da vida. Muita gente passa por isso quando fica gravemente doente, ou quando perde um ente querido, ou quando acontece algum acidente, ou quando alguém fica doente para morrer.
O ideal seria nunca precisar passar por esses momentos. O bom mesmo seria se ninguém precisasse ir parar num hospital a não ser para fazer um parto.
Por mais simples que uma cirurgia possa parecer, sempre tem os “poréns...”
E desses poréns é que a gente se borra de medo. Eu pelo menos, morro de medo de anestesias e coisas afins.
Ontem minha mãe fez uma cirurgia na coluna bem na parte de cima. Me amoleci de cima abaixo por diversas vezes. Tinha tudo para dar certo e de fato deu. Mas cada vez que a recepção do bloco chamava o familiar dos fulanos de tal, dava um medo de ser eu e o Amon, e dava um medo de ouvir que qualquer coisa possa ter dado errado. Esse medo me deixou a flor da pele. Já estava ficando com dor de barriga, com enjoo, com ânsia de vômito, com tudo que o meu sistema nervoso poderia me oferecer.
Não apenas por isso, mas essas horas são importantes para o momento da parada. Mas a parada para pensar no sentido das coisas e que para morrer, basta estar vivo... (é óbvio mas a gente prefere não lembrar muito disso).
Penso muito nisso sempre, embora o que saia para fora sejam mais espinhos do que rosas...
Mas a minha mãe não tem igual. Esse pressuposto parece ser meio óbvio. Mas não é. Tem gente que tem mãe legal, tem gente que tem mãe boazinha, tem gente que tem mãe bruxa...
A minha mãe é a categoria de mãe “sem explicação”. Ela me torra um pouco o saco de vez em quando, mas ela é tudo que eu sou. Sem parecer papo de “arquivo confidencial do Faustão”, a minha mãe é a minha referência, não apenas por ser minha mãe, mas por ser a pessoa que é. Ela tem um senso de humanidade e um coração que não cabe nela. Gostaria de colar aqui embaixo, o que escrevi no meu Memorial Descritivo para fazer a seleção do mestrado na UFRGS, sobre a minha mãe e a minha vida... Não sei se algum dia ela já leu, mas lá vai:
“Os que mandam acreditam que melhor é quem melhor copia. A cultura oficial exalta as virtudes do macaco e do papagaio. A alienação na América Latina: um espetáculo de circo. Importação, impostação: nossas cidades estão cheias de arcos do triunfo, obeliscos e partenons. A Bolívia não tem mar, mas tem almirantes disfarçados de Lord Nelson. Lima não tem chuva, mas tem telhados a duas águas e com calha. Em Manágua, uma das cidades mais quentes do mundo, condenada à fervura perpétua, existem mansões que ostentam soberbas lareiras, e nas festas de Somoza as damas da sociedade exibiam estolas de raposa preteada.” (GALEANO, 2002, p. 159)

Esta pequena crônica de Eduardo Galeano chamada A alienação/2 reflete o tom ao qual inicio meu memorial descritivo. Trata-se da explicação na qual sinto necessidade em expressar, no que se refere às minhas escolhas não apenas profissionais, mas também ideológicas dentro de uma conotação de visão de mundo.
Esse processo inicia-se na infância, onde minha mãe sempre trabalhou entre eu e meu irmão, a idéia de “importar-se” com o que acontece fora da nossa casa. Ela é formada em Ciências Sociais, professora do estado e antiga militante política. Desde cedo éramos estimulados a entender porque havia meninos no sinal da cidade pedindo esmolas, e porque algumas coleguinhas do meu colégio precisavam de tênis de todas as cores e marcas. Quando muito, não tinha respostas para todas as perguntas, mas estes questionamentos sempre fizeram parte da nossa realidade. Estes fatores externos à vida cotidiana das famílias classe média na qual eu estava inserida, para a minha família não se colocavam alheios a nós. E por conta disso, muitas vezes éramos os “rebeldes” dos grupos, tanto eu (criança e adolescente), quanto minha mãe, que, por muitos momentos passava horas e horas envolvida com trabalhos e mobilizações sindicais.
Com isso, minha vida adulta não poderia ter outro destino, senão o de importar-se. Quando falo em importar-se, estou me referindo à noção de entender, de perguntar, de procurar, de fazer parte, de conscientizar, de trabalhar, de praticar, de teorizar, de ser um curioso, de pesquisar, de sensibilizar. No modo de ver o mundo ao qual fui criada, a concepção de coletividade esteve lado a lado mesmo que ainda não tivesse idade para entender os fundamentos do materialismo dialético, ou talvez das teses que Marx nos traz, ou quem sabe o conceito de “libertação” de Paulo Freire. Ou seja, nesse modo diferente de pensar a minha existência e a existência do outro dentro da realidade na minha infância, é que foi se dando sutilmente a prática, ainda que sem a teoria.
"

Além deste Memorial de 2008, havia feito o de 2007 também neste tom, talvez até um pouco mais detalhado.
Esses momentos de “parada para pensar” fazem passar um filme na cabeça da gente. E na minha cabeça só fez passar o que sempre passa, só que agora de forma cada vez mais forte: eu quero a minha mãe aqui, do meu lado, pertinho de mim, feliz, com saúde, namorando, rindo, reclamando, enfim, aqui, vivendo.
Ela só tem 51 anos e muita vida pela frente.
Mais uma vez, repito que a minha mãe é a minha bússola. E sem ela eu perco o norte, o sul e qualquer outra direção.
Mãe, és a mulher mais afudê que eu conheço e quero ainda muito aprender contigo.

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terça-feira, 21 de julho de 2009

Nosso Amigão


Eu ontem redescobri um grande amigo que na verdade nunca deixou de ser. Talvez a rotina afaste as pessoas e a amizade fique num segundo plano. Estar próximo e presente pode não ser tudo numa amizade. Acho que o que vale mesmo é a lealdade a que se leva o título de "amigo". Nossa, eu tenho tantos amigos que não caberia aqui elencar. Tem os que eu alugo pra fazer dos seus ouvidos um grande "penico", tem os que eu desconto todo meu stress, tem os que só pegam as partes boas e educadas de mim (esses são bem poucos ehehehhehee), tem os universais, que pegam todas as minhas partes, tem os que só vejo de vez em quando, mas quando vejo sei que posso dizer o que eu quiser. Tem os amigos mais que amigos que são até meus parentes, como a minha mãe, por exemplo, que quando eu era criança todas as meninas faziam competição de quem é a melhor amiga de quem, e eu sempre respondia que era a minha mãe. E se me perguntassem agora, ela certamente diria que não é verdade, mas ela é e sempre será minha melhor amiga, até que se prove o contrário ou que a Stella passe a roubar seu posto. Às vezes eu tenho medo que ela me critique, e acabo botando os pés pelas mãos, mas sei que esta sempre ali pra eu contar e pedir o conselho que quiser. Na verdade a minha mãe é tema pra uma postagem única aqui.
Sem querer esse amigão (ou será que foi de propósito? Acho que não) acabou fazendo uma ação simbolicamente no dia 20 de julho, dia do amigo. Me emocionei ontem com o método e o conteúdo desse bom amigo de ajudar uma outra amiga. Não tenho como descrever suas palavras medidas e colocadas quase que "liricamente" uma após a outra. Puxa vida, que formulação, que relação, que tudo. Eu acho que nunca havia visto tamanha profundidade na forma de falar e até mesmo de pensar e conseguir organizar o pensamento. Acho que esse meu amigão conseguiu reencarnar o Paulo Freire e usa cada vez mais de uma pedagogia totalmente límpida, bonita, leve e profunda. Não tenho mais palavras pra admirar e verbalizar o que senti ontem, e da prova de amizade refletida na preocupação desse meu amigo, que ajudando uma outra amiga, ajudou outros amigos também. Esses outros amigos ele ajudou certamente ensinando uma humanidade cada vez maior que se refletirá em outras relações de amizade e outras práticas, e de como uma amizade pode ser a coisa mais fantástica que existe.
Meu Amigão Amon, e Amigão de muita gente, TE AMO.

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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Juventude, educação e trabalho


Algumas observações e constatações sobre o ritmo do trabalho ao longo do processo histórico e na atualidade, me chamaram a falar um pouco sobre este tema. Enraizados na lógica Fordista de produção, a economia mundial começa a pedir hoje, trabalhadores nem tão “fragmentados” assim. Isso quer dizer que, aquele funcionário que antigamente dava conta de apenas torcer o parafuso e aumentar a quantidade e a velocidade de produção hoje garante seu emprego se torcer o parafuso, juntar com a outra peça, dar uma “polida” no produto final e ainda se relacionar bem com os colegas. Este último inclusive, esta na moda. Segundo as teorias econômicas que fomentam a pesquisa científica dentro da área da psicologia, por exemplo, exaltam hoje este último item, nomeado belissimamente como “habilidades comportamentais”. O que o mercado esta exigindo agora, é aquilo que a máquina não pode substituir. A criatividade humana e a capacidade de relacionar-se com o todo (trabalho e pessoas). Para além destas qualificações, exige-se também o conhecimento da área específica, o estudo, a formação inicial ou básica e uma formação continuada. O interessante é que essa educação orientada aos interesses do capital e do banco mundial, não é uma educação “democratizadora” de conhecimentos. Ao menos nos países onde é interessante que não se formem profissionais qualificados de fato, como nos países mais carentes. A política educacional do banco mundial é qualificar a população desses países com cursos técnicos, para trabalhar em multinacionais onde a centralidade do conhecimento científico fique de fato com a supremacia tecnológica das matrizes. Nos Estados Unidos pode ser interessante empoderar o campo da educação dando ênfase ao aprofundamento do conhecimento aos seus, mas nos países ditos “pobres”, ou cinicamente “em desenvolvimento”, a política é empoderar a população apenas para trabalhar na fábrica com o máximo de qualidade, porém qualidade apenas técnica, e de preferência num ritmo alienado do processo em si. Talvez para isso se enfatize tanto a questão da necessidade de um funcionário ter “habilidades comportamentais”. Pois esse “super funcionário” garantirá seu emprego se atingir essa gama de responsabilidades. Caso contrário, esta fora. E no meio desse emaranhado todo, vem os jovens oriundos de uma educação ainda precária, que pouco a pouco vem tentando desvincular-se da lógica do exército de trabalhadores qualificados ao trabalho manual do capital. Pois o trabalho intelectual e o conhecimento científico e tecnológico, por enquanto é mérito dos primos ricos lá de cima. O governo federal vem tentando desconstruir essa lógica aos poucos, dando incentivos científicos e intensificando a riqueza de “casa”. Mas infelizmente o caminho ainda é muito longo.
OBS.: Na foto acima, a Juventude de Gravataí representada na Marcha em Defesa da Educação no XI Fórum de Estudos Paulo Freire

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quarta-feira, 13 de maio de 2009

FORA YEDA!!!


Bah, o negócio tá pegando fogo mesmo, como diz o CPERS!!
Olha o tamanho da cara-de-pau, ela dando entrevista nas rádios dizendo que vai acionar seu advogado para processar quem está a acusando de fazer o tal caixa 2 do "caixa 2"... se não fosse trágico seria cômico!!! Aliás, a comédia muitas vezes vem da própria tragédia... falando nisso, a Yeda creio ter sido a governadora mais alvo de charges da história!!! Tá ganhando do Colares!!

PARA NÃO ESQUECER,

AMANHÃ, DIA 14, ÀS 10 HORAS, TODO MUNDO NA FRENTE DO PALÁCIO GRITANDO FORA YEDA!!!!!!!!

CHEGA!!!!!!!!!!!!!!!!!Saturou!!!!!!!!

Tragédia Nacional!!!!!!!!!

Na imagem, caricatura de FRAGA, do seu blog http://fragacaricaturas.blogspot.com, muito legal.

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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sensação estranha



É a primeira vez que tenho essa sensação na vida. Nunca pensei, enquanto estava do outro lado da conversa (enquanto aluna), que um professor passasse por isso. Aliás, jamais poderia imaginar.
Começo dizendo que só em falar nisso me dá vontade de chorar. Que estranho. Professora chora.
Quem não me conhece direito, ou talvez quem me conhece mas nunca conversou sobre isso comigo, talvez estranhe também, ou até ache demagogia minha. Mas não vim me explicar, vim apenas desabafar comigo mesma e com quem quiser ler este blog.
Ano passado tive minha primeira experiência efetivamente como professora de sala de aula. Até então fiz apenas “aparições” como estagiária universitária, ou pequenas participações sem maiores envolvimentos, tanto afetivos quanto burocráticos de ensino.
Trabalhei a disciplina de História para ensino fundamental e Sociologia, Filosofia e Psicologia para o médio. Duas escolas públicas diferentes de Gravataí. Foi um ano atípico, pois pude definitivamente saber do que estão falando estes professores de sala de aula, e do que estão falando estes alunos contemporâneos.
Bah, que experiência. Para quem está há anos no magistério é corriqueiro, é habitual, por mais que tenha muito gosto pelo seu trabalho, é o “comum”, passar por isso todos os anos. Mas para quem estava recém começando, tudo era novo. Inclusive o que sinto agora, também é novo. E me pergunto, se eu tivesse continuado, como seria o ano seguinte. Tenho a mais serena certeza que seria melhor ainda. Seria mais firmamentos de laços ainda. Não consigo enxergar a insatisfação com eles nem a rotina chata do dia-a-dia de sala de aula. Cada dia foi um dia. Um dia diferente.
Eles que me refiro, são os alunos, o grande motivo da minha sensação estranha.
A sensação estranha que me refiro, é a saudade. Putz, eu tenho sofrido de saudade. Não sei como lidar com isso, pois acho que os mais de 150 adolescentes que participaram da minha vida ano passado não passaram desapercebidos. Estão todos aqui, dentro da minha memória e do meu coração, lembro de todos, de como todos se dirigiam a mim, de como todos reagiam a certas coisas, da amorosidade de cada um, da personalidade de cada um, do jeito de cada um, e se duvidar, do sobrenome de cada um, até daqueles que já briguei, até daqueles que torraram o saco em determinados momentos, e colocaram em cheque qual a melhor “pedagogia” a se firmar naquele momento.
Essa sensação estranha, é a de saber que esse ano estou longe deles, é de ver um aluno na rua e perceber que ele cresceu, e que eu não acompanho mais nem isso. Bah, trabalhar a Sociologia ano passado, a minha verdadeira paixão, com alunos e alunas do segundo ano, por exemplo, e confirmar a minha hipótese de que há muita vida e sentimento coletivo, transformador dentro dessas mentes, me rendeu até homenagem com banho de refrigerante no meu aniversário. Eu acho que isso não esqueço nunca mais, a bagunça que os guris fizeram numa sala, lavando todo mundo de refri. Sim, subverti algumas ordens, alguns conteúdos, algumas normas e talvez até algumas pedagogias. O que me fez sentir cada vez mais próxima deles e não da burocracia de ensinar e alcançar objetivos inócuos pra “inglês” ver. O trabalho e conscientização a respeito de questões geradas pelos mais diversos preconceitos, me rendeu outra história na disciplina de História. Foi uma das coisas mais apaixonantes que já fiz. Trazer o contexto histórico lineado por ações preconceituosas, para a vida real. Comecei com o nazismo, e aí deslanchamos diversos debates. Mas debates muito ricos. Me impressionei com cada trabalho, cada colocação, criatividade, cada processo de avanço daquelas cabecinhas brilhantes que me deram orgulho o ano todo. Junto com tudo isso, a relação humana com todos eles foi o grande ponto do sentimento que estou agora. Quando o final do ano se aproximava, eu ficava mais triste. Sabia que teria férias e que seria legal, mas também sabia que dificilmente seria professora deles de novo. E assim, fico a me comunicar no Orkut, ou as vezes quando encontro alguém na rua, mas o contato da rotina, não teria mais. Primeiro porque era professora contratada e não concursada. Segundo que alguns se formaram e saíram da escola. Esses que se formaram me orgulhavam demais, pois avançariam uma etapa importante a mais na vida. E os que ficavam, de certa forma eram um pingo de esperança de continuar os vendo na escola como professora. Mas já imaginava que não daria para continuar. E isso me consumia.
Esse ano, 2009, confirmei que sentiria tudo isso, e com muita intensidade. Escrevo este texto agora, com os olhos cheios de lágrimas mas cheios de felicidade, por me dar conta que essas pessoas mexeram tanto com a minha vida, e que tenho certeza ter escolhido o melhor a fazer na vida: educar. Mas não simplesmente educar por educar, e sim, educar para estar sempre próxima de pessoas que me acrescentaram muito no que sou, e que de certa forma posso ter contribuído também para alguma coisa na vida deles, e que de tudo isso se gera um sentimento de não estarmos sozinhos no mundo, e de solidariedade humana, e de esperança de transformação de um mundo melhor. Essa noite, assim como muitas outras, sonhei com meus alunos, e hoje acordei precisando falar isso.
Mas esta não é uma história de tragédia, é, talvez, uma história de esperança.

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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Emir em Gravataí


Sim, conseguiu-se trazer uma grande figura para fazer uma palestra aqui na cidade... e por falar em grande figura... ah!!!
Que maravilha!! Debates sobre o Fórum Social Mundial do ano que vem... que alívio... pensei que desde que este estado foi sucateado, nunca mais ouviria-se falar em FSM.

O Emir é um destes grandes homens e mulheres que idealizaram este Forum e agora está aí, com vida, pernas e coração a todo vapor.

Sim, o Rio Grande do Sul lamenta também a Desgovernança Solidária do Sr Fogaça, mas...

O próximo FSM está aí pra mostrar que aquela ladaínha de "aproveitar o que era bom e mudar o que era ruim" foi pura história pra boi dormir.

Hoje não estou inspirada, pelo contrário, os passarinhos não acordaram verdes nem azuis... então, apenas dei uma passadinha para divulgar esse grande homem na Aldeia dos Anjos, a Gravatahy.

Sexta, dia 24 de abril, às 20h na Câmara de Vereadores.

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quinta-feira, 12 de março de 2009

Ensaio sobre o nervosismo


Essa semana começaram as aulas oficialmente no mestrado, e sinto desde já, que será mais um desafio na minha vida realizar estas disciplinas com um bom aproveitamento. Enquanto aguardava a vez de fazer apresentação pessoal, falar das minhas intenções, formação, etc, percebi que minha barriga sentia um frio, e ao mesmo tempo, a mão suava. Explicações? Não sei ao certo, pois o professor eu já conhecia e alguma parte dos colegas também. E isso se repetiu nas demais disciplinas. Foi nesse momento que meu pensamento voou e anotei uma palavra em minha agenda: nervosismo. Sim, eu precisava lembrar que queria desabafar sobre o nervosismo.
Comecei a analisar os momentos de calma. Ao menos os meus. E me dei conta de um fato ao mesmo tempo que simples, muito complexo. Os momentos de calma são capazes de gerar mentes alienadas a qualquer processo, seja interior, seja coletivo. Comecei a lembrar de quem tem muita calma na vida... que práticas tem as pessoas no estado de calma? E leia-se aqui, não estou tratando da truculência o antônimo da calma, e sim, a calma enquanto oposto de nervosismo, aquele que só a insatisfação o gera. Foi nesse momento que percebi o quanto a insatisfação me deixava nervosa por fazer ou mudar alguma coisa que não estava na sua melhor forma.
A própria paixão, é um sentimento que anda lado a lado ao nervosismo. Quem é apaixonado é nervoso, fica nervoso, tem picos de nervosismo. Sinceramente, não acredito nos relacionamentos “calmos”. E mais uma vez, ressalto o conceito de calma aqui utilizado, não é o oposto da briga, mas o contrário de inércia, talvez. O nervosismo do coração apaixonado, definitivamente dá frio na barriga, e este necessariamente constrói e movimenta algo naquele momento, nem que seja uma flor.
Foi inevitável lembrar do cidadão de bem... o cidadão de bem, aquele que diz pagar seus impostos, aquele que nunca bateu no vizinho, é até religioso, aquele que repete que políticos são todos ladrões baseado no Jornal Nacional, enfim. Uma dessas pessoas que nunca mudaram a realidade de nada a sua volta a não ser do seu próprio umbigo. Essas pessoas que não se consideram parte da parte miserável da cidade que passa fome e mendiga dignidade. Lembrei que estas pessoas não ficam nervosas se o problema não atingir a ela e a sua família. Até uma banda fez uma música ao “pacato cidadão”...
Quem sabe se remédios para deixar as pessoas mais tranquilas fossem proibidos? O que significa de fato, as pessoas que não tem disfunções químicas, tomarem remédios para ficar mais “calminhas”? - E mais uma vez ressalto, não estou falando daqueles casos em que é diagnosticado a necessidade de recomposição química no organismo. - Ora, talvez mais “alienadinho” deveria ser o nome correto. O remédio milagroso do capitalismo: “Alienol comprimidos”. Tome um comprimido de “Alienol” e siga o resto do dia vendo televisão bem calminho, esquecendo que a vida é cheia de problemas.
Ora, se não fossem os problemas alguém mudaria alguma coisa? Não. Nada. Nem sequer a posição no sofá. Nem sequer as relações afetivas. Nada mesmo. Onde há calma não há mudança. Onde não há conflito, não há evolução.
Ficar nervosa na aula me dá a sensação de que preciso de mais. Essa é a tradução do salto que o nervosismo é capaz de fazer na vida das pessoas. Basta utilizá-lo racionalmente. Não se trata de executar ações oriundas do nervosismo por aí, assim, sem raciocínio.
Trabalhar é outro fator que deveria deixar as pessoas nervosas. Sim, porque quando se faz o que gosta, dá um frio na barriga. Dá aquela vontade grande de não errar ou ao menos não decepcionar pessoas. Porque todos os trabalhos no planeta envolvem pessoas. Até mesmo o sujeito que opera uma máquina, certamente esta envolvido também com pessoas. E são pessoas que nos preocupam, que nos geram insatisfações, e que nos geram também o sentimento de solidariedade. E esses sentimentos nos tomam por nervosismos de mudar ordens. Através dos mais diversos caminhos.
O meu nervosismo, que não deixa a calma tomar conta de mim na maior parte das coisas que faço, está diretamente ligado a saber mais, estudar mais, pesquisar mais, aprender mais, ensinar mais, debater mais, trocar mais, sentir mais, fazendo com que, na medida do possível, contribua para que outros seres humanos possam ter uma vida mais digna, longe da desigualdade que o capitalismo gera. A educação, por exemplo, pode ser um caminho de canalizar meus nervos. Talvez por isso estar na condição de aluna me deixe tão nervosa. É o frio na barriga de estar eternamente tentando avançar etapas e saber que nunca se atingirá um ponto final. A vida em reticências, me dá ânimo e nervosismo para atingir cada vez mais parágrafos em coletividade.

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quarta-feira, 4 de março de 2009

Escolas itinerantes fechadas...






“Guerra dos Mundos”. Passou esse filme na Globo hoje (segunda-feira, dia 02 de março). Depois da ficção, a realidade. Notícia inicial do Jornal da Globo: Ministério Público do RS fecha escola itinerante do MST. Em poucos minutos, a notícia: Presidente Lula critica assassinato do fulano por parte de integrantes do Movimento dos Sem-terra. Overdose ideológica na veia. Sem anestésico. Diretaço.

Não tenho mais paciência com tanto descaramento. O Ministério Público, juntamente da nossa governadora, alegam que “elas não seguem as diretrizes pedagógicas oficiais e implantam a ideologia socialista nos alunos.”(segundo o Jornal O Globo de 19/02)

Sinceramente, em 2009, jamais poderia imaginar ouvir tamanho absurdo. Do que este povo da direita tem tanto medo? Não reproduzem a plenos pulmões de que o socialismo perdeu sua vez? Fico tentando imaginar o que seria “implantar ideologia socialista nos alunos”... provavelmente valores do mal, como aprender a dividir, aprender a respeitar o outro, aprender a importância da coletividade, aprender a distribuir, aprender a respeitar as riquezas naturais e o lugar onde se vive, aprender que homens e mulheres são iguais, enfim, aprender a ser mais humano. Puxa vida, acabem com as escolas itinerantes, afinal, “elas não seguem as diretrizes pedagógicas oficiais”. Diretrizes oficiais? O que o Ministério Público quer dizer com diretrizes oficiais? Que as escolas itinerantes não seguem conteúdos programáticos? Não, é pura história para boi dormir. Na realidade o que querem dizer, é que crianças e adolescentes não podem ser ensinados para nenhum tipo de processo de libertação da consciência, pelo contrário, devem seguir a risca o PCN tapado de conteúdos muitas vezes vazios, para que sejam parte do exército dos homens e mulheres treinados para trabalhar para e pelo capital. Processos emancipatórios aliados à educação popular? Ah, isso é coisa do capeta. Aquele que começa fazendo “lavagem cerebral” por trás das lonas do MST, e termina com ideais antropofágicos que comem criancinhas. O MST tem problemas? Contradições? Sim, tem. Assim como todos os partidos de esquerda também tem. Portanto, por hora, estou indignada com o rumo que as coisas estão indo sobre esse assunto. Sobre esse e sobre tantos outros. Chegamos nos tempos em que até o Ministério Público virou expert em educação, não apenas interrompe processos educativos, como dá seu parecer técnico sobre o tema. Maravilha! Mais uma da “Guerra dos Mundos”, porém, os inimigos não são exatamente extraterrestres, mas sim, seres humanos a serviço do capital.

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segunda-feira, 2 de março de 2009

Eu por eu mesma...


Eu seria mais ou menos assim:
Uma colorada nata, que viu seu time ser campeão da Libertadores dentro do estádio mais caloroso do mundo. Uma pessoa que gritava vendo no telão, cada vez que o Barcelona chegava perto da pequena área. Sou alguém que chora vendo filmes. Mas não os românticos, e sim, as torturas da ditadura na américa latina, a crueldade de campos de concentração, a frieza de guerras infundadas e todas as injustiças reais, e não as fictícias. Sou alguém que prefere ficar em casa do que ir num shopping. Alguém, que gostaria de explorar o mundo. Porém, alguém que, se pudesse voltar no tempo, trocaria toda a despesa de uma viagem aos Estados Unidos, por uma viagem ao México, ao Peru, à Índia, ou qualquer lugar que acrescente. Adoro conhecer culturas e lamento as partes do mundo que foram aculturadas. Alguém que vê um filme sobre a guerra civil em El Salvador, e sai do sofá querendo fazer um levante mundial. Alguém que pulsa no sangue a revolução, mas alguém que já assimilou tantas coisas desse sistema capitalista, que às vezes se perde na compreensão ou na incompreensão do modo de ver o mundo. Eu sou alguém que tem palavra. Alguém que tem amigos fiéis e respeita o caráter alheio. Mas também alguém que perde o controle ou a paciência em certos momentos. Sou socióloga. Sou uma escorpiana. Mas também sou alguém que sabe que a astrologia não serve para delimitar atitudes. Sou mestre em Reiki, mas não tenho praticado. E ainda assim, materialista. Alguém explica? Eu sou alguém capaz de bater o carro em outro mas não passo por cima do cachorro no asfalto. Amo minha família, e, apesar de detestar esse discurso de "deus, pátria e família", acho que a minha família é fora do comum. É especial, diferente, tem concepções de vida diferenciadas e valoriza caráter acima de sexo, raça, religião ou cultura. Além disso não acredito em deus. Talvez em deuses, será? Eu acredito é nos homens. Eu sou alguém que treme quando vê alguma injustiça, mas também sou alguém que se sente impotente ao ver meninos fazendo malabarismo com limões nos faróis da cidade. Não gosto de gente que vira a cara para a pobreza. Deixar de ver não diminui a culpa de ninguém. Fico louca com quem tem esclarecimento e não se dá conta como é o ciclo do capitalismo, a má distribuição de renda, o enriquecimento desenfreado de uns, o consumismo ridículo de outros, o empobrecimento derradeiro e latente nos arredores das cidades e a exploração do trabalho. Sou alguém que ama muito. Mas sou alguém que dificilmente sabe demonstrar. Também sou centrada, controlada, e ainda, controladora.
Na minha casa governa um matriarcado, e, sinto que esse tipo de regime ainda se perpetuará por gerações. Eu gosto de animais. Confesso que baratas me fazem pular de uma janela no 10º andar de um prédio. Meu pai mata baratas com a mão. Em compensação acho um sapinho lindo, mas ele tem medo. Sou uma pessoa que adora muito cozinhar. E comer também. Odeio lavar a louça, varrer a casa, limpar qualquer coisa. Por mim as coisas deveriam ser autolimpantes. Nunca quebrei nenhum osso, mas já torci meu braço quando era criança. Já pintei os cabelos de preto azul, já cortei Joãozinho, já lasquei a pontinha do meu dente de leite da frente. Já chorei a morte de alguns cachorros meus. Já dei muita risada por coisas muito idiotas, geralmente com os amigos, desde pequena. Já pensei em me matar, mas sem que precisasse morrer de verdade. Já fui posta para fora da aula de religião. Já tirei notas vermelhas, mas poucas. Já fui bem comportada. Era uma criança normal, nem tonta, nem desobediente. Sempre fui questionadora, mas sempre respeitei os adultos. Nunca me confessei numa igreja, pois não fui batizada. Hoje agradeço minha mãe por não me obrigar desde bebê a ser de uma religião que eu não quero. E mesmo assim, estudei em escola de freira. Já tive uma filha. E não sei o que é dor de parto nem de contração. Hoje ela é o ar que eu respiro. Já me perguntei como é que pode alguém chegar de repente na vida das pessoas e tomar conta do nosso sentimento. Enfim, eu sou assim... nem muito nem nada, sou simplesmente um ser humano...

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